quarta-feira, 20 de junho de 2012

MAR quase MORTO

Da primeira vez, eu senti o braço todo molhado. Estava deitada, esperando o sono. De repente, um frio na pele me alertou: por ali se derramava um líquido, escapado de alguma fresta. A água vinha por todos os lados, do chão, do teto, a água corria pra me buscar, sua língua azul vinha arrancar deste mundo. Levantei-me e, conforme escapava pelo quarto, o chão se molhava. Alucinação, com certeza. Essa visão de afogamento passou a suceder sempre que adormecia. Ás vezes me envolvia o mar, outras parecia me afogar no meu próprio sangue. Mar e sangue, sangue e mar. O sangue tem sabor de quê? Eu olhei o mar, sem dar resposta. O que dizer!? Trazemos oceanos circulando dentro de nós? Ficarei sempre sem saber.