segunda-feira, 23 de julho de 2012

voar

eu
quero
um pássaro
passado a limpo
no meu caderno
um pássaro ávido
por cores e sons
um pássaro terno
claro e canoro
em mim
liberto
um
pássaro
poético
que perto de si
seja apenas pássaro
seja apenas
pássaro
seja apenas pássaro
seja
a
pena
pássaro
pássaro com penas
apenas
canário de fogo
de pássaro
apenas
mas pássaro que saiba
apenas
que dentro de mim
há uma gaiola
entreaberta
uma
janela
boquiaberta
além de uma casa
com a porta aberta
sempre pelo tempo
sempre
afora lá
fora
afora
lá fora


a voar
Nenhum conhecimento de onde saíra. Nem de como. Nem de quem. Nenhum de aonde chegara. Parcialmente chegara. Nem de como. Nem de quem. Nenhum de nada. Salvo obscuramente de ter voltado a si. Parcialmente a si. Com temor de ser de novo. Parcialmente de novo. Em algum lugar de novo. De algum modo de novo. Alguém de novo. Você volta. Eu vou. De novo. Novo.

Adiante.

Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que tudo começou a ganhar uma cara que, no fundo, eu já conhecia, mas havia esquecido como era. Comecei a despertar da maresia. Com as mãos molhadas. Uma alma maleável. E foi então que comecei a ouvir o canto e a ternura. Devagarinho. Pra não assustar. Refaz o caminho que nos leva a parir estrelas por dentro e a querer presentear o mundo com o brilho do riso que elas cantam. O sol brilha. Ele está lá. Não tenho mais tanta pressa. Gentileza para os meus passos. Não tem lugar melhor para chegar, que além de mim. 

Quero brincar

Amanhã

amanhã dia d
domingo
de novo
de ida e volta cruzando uma terra fértil mesmo caminho de mão única serpenteando
será uma nova história num mesmo caminho?
será a história num novo caminho?
vamos
assim nenhum sinal de restos nenhum sinal que ninguém antes 
nem um nunca antes assim
adiante e vamos

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pérola

Ai, ai, ai. Não. Quero. Não quero. Esse troço "pequenino" quase me quebrou os dentes. Sair dos mares gelados do pacífico para ver a pequenina esfera. É feita da mesma matéria que a minha? Prefere o dia? 5 minutos. Blackout. Eu gosto da noite. Me encantou nas delicadezas dos gestos. Mas,logo em seguida me espantou ao conhecer do que somos compostos. Esse troçinho. Paralisei. Para. Alisei. Para. Não me ajudou a clarear as idéias. O mundo ficou dominado pelos elétrons, prótons e neutrons. Um silencio providencial. Um balão que caprichosamente pegou fogo. Explodiu. Decepção inevitável. Inevitável? Desistir da aula de fisica. Mas, prometo uma jóia ao trocinho. Um pequeno milagre timido. Fecho como uma ostra. 
Pérola

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pingos

Gosto da chuva. Faz-me sentir grandiosa. Afortunada também. Gosto que chova. Gosto de ver chover. Gosto dos sentimentos que são despertados, simples e complexos, de estar a chover. Não sei bem porque escrevo sobre a chuva. Talvez seja a alegria que enche o meu coração quando estou só. na calma brilhante do mundo. na alma brilhante da noite. na chuva. Talvez seja a beleza do ser beijado à chuva. sozinho. amando. Talvez seja só eu. Ou talvez só a chuva.