terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vermelhos

Sim! Vermelhos. Serão. Serão vermelhos os sapatinhos. Vermelho. Fogo. Áries. Forte. Fogueira. Dança. Iansã. Padilha. Malvados. Tentadores. Apaixonantes. Isso.. paixão. Tem quer ser vermelhos.
Os meus sapatinhos vermelhos.

Morena

A volta da mulher morena
vinicius de morais

Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena

Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo
E estão me despertando de noite.
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena
Eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios.
Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma
Cortai os peitos da mulher morena
Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono
E trazem cores tristes para os meus olhos.
Jovem camponesa que me namoras quando eu passo nas tardes
Traze-me para o contato casto de tuas vestes
Salva-me dos braços da mulher morena
Eles são lassos, ficam estendidos imóveis ao longo de mim
São como raízes recendendo resina fresca
São como dois silêncios que me paralisam.
Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena
Livra-me do seu ventre como a campina matinal
Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria.
Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena
Reza para murcharem as pernas da mulher morena
Reza para a velhice roer dentro da mulher morena
Que a mulher morena está encurvando os meus ombros
E está trazendo tosse má para o meu peito.
Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus últimos cantos
Dai morte cruel à mulher morena!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Lobinha

Pois é. Lendo. Observando. Imaginando. Tentando entender cada palavra de um livro. Enquanto tudo estava ali. Bem pertinho, ou melhor dentro de mim.

O meu coração reclamando, e eu achando que ele estava gripado. Que era mimado. Mas, não! Ele estava tentando me dizer: olha a velha, olha ela ali... quer te dizer algo. Não consegui ver.

Mas, ontem senti, senti suas palavras. Eram os meus ossos remexendo. Se deslocando. A dor. É. Descobrir que é através dela que meus ossos criam vida. Que meu instinto cria cor.

Feliz. Agora posso me relacionar muito bem com a dor. Através dela posso ver a velha. A velha que sabe. Que me diz a verdade. Que me dá a força.

Chorando, eu!? Não. Está chovendo. Não ver as gotas!? Lágrimas acariciando a alma. A minha alma. Que se renova. Que é nova e velha. Agora, resta nada. Nada.

mas eu digo. boa sorte. agora é só você. chove, se molha, se lava. e deixa que o sol te faça brilhar.

espere a primavera.




sábado, 7 de agosto de 2010

Palavras

O desenvolvimento de uma relação com a natureza selvagem é uma parte essencial da individuação da mulher. A história do Barba - Azul fala desse carcereiro, o homem sinistro que habita a psique de todas as mulheres, o predador inato.