quinta-feira, 19 de abril de 2012

5 DE ABRIL DE 2012, AS 21:56H

Você bem sabe de onde veio, e até imagina pra onde vai. 
Só não sabe o que fazer com isso - uma pancada de vinho, e o tempo e o vento, num suave desmaiar - (vê-se ao longe algo que parece uma luz.. a lua.. é favorável atravessar?). 
Pode-se plantar sim, mas não hoje, aqui é mar.
Impermanente ele, é. 
E mais: se o tempo corre como um rio, e você em sentido contrário, é quase o mesmo que ficar.
Mas, se você fica com o tempo e o vento a favor, é como se fosse ir: é você e toda areia da praia a passar (e a onda mais perigosa do mundo vem, mas você não está mais lá). 
A mesma areia fina que veio, vem,virá, há e é, e um dia foi-se e cobriu seus ancestrais. 
Dia após dia, eras e eras. 


É assim que eu sabia ser?
É assim que soube ser.


Redemoinho marinho, folhas ao vento, conchas no chão e a luz cheia da lua (..) respirei fundo e ar salgado me fez ver e viver mais. 
Na beira do abismo, na borda imensa do mar, basta um passo - um só gesto - e não é (nunca mais será) aquele mesmo lugar. 


Nunca mais será.  

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