segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"Quando quero, quero. Quero de fato. E vou buscar. Não espero nada de ninguém com relação as coisas materiais, é claro. Tenho confiança cega em mim, apesar das insuficiências toco tudo para a frente. Sempre fui assim."

“Não julgue que fui uma menina precoce ou mesmo jeitosa. Apenas gostava de dançar e sempre que uma música me dizia alguma coisa, eu a dançava. Naturalmente não possuía escola, mas tinha a minha técnica própria. Fui menina pobre; quando cresci não podia mais dançar como queria porque me faltava aprendizado. Aliás, nunca pude, quando criança, aprender o que desejava: leio qualquer música mas não sei tocar nenhum instrumento; desejei muito ser pintora e não puder cursar nenhuma escola. Eu sabia que minha infância estava passando e via que não realizaria nada do que desejava. Foi horrível. Depois, mais tarde, quando encontrei o teatro, foi como se tivesse reencontrado todas as artes que eu desejaria conhecer. Talvez por isso mesmo ele seja a minha grande paixão e por isso a ele me dediquei para sempre.”

Poderia ser... as minhas palavras.

Cacilda Becker.


“Viver é conquistar. Não se pode viver em estado de contemplação. Viver é ir ao encontro. Tudo está a nossa espera. É uma questão de coragem e amor. Minhas insatisfações, minhas angústias, esta fé em meio ao caos foram coisas vitais para a minha arte. Essas coisas fazem os poetas, as atrizes, os devassos e as prostitutas.”

domingo, 14 de novembro de 2010

UMA desconhecida.


reHABILITE

faça luz onde há involução

rasguem as PALAVRAS

as PALAVRAS.


pois bem .. no meio de tantas palavras, encontrei as belas !!! elas sairam sem querer. rezem por mim, pelo meu coração. as palavras me cercam. o impacto é grande demais. elas podem. elas enlouquecem. nos põem limites. me dê absolvição !!! tentei.. rasguei uma por uma. não me acerte, não me seque. elas fogem, as palavras tem poder. tentei.. rasguei e pus no fogo.. não assoprei! o seu amargo não me deu o direito de viver em paz. palavras, palavras... escolhendo as palavras certas. Tome conta do que vai dizer !!!


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vermelhos

Sim! Vermelhos. Serão. Serão vermelhos os sapatinhos. Vermelho. Fogo. Áries. Forte. Fogueira. Dança. Iansã. Padilha. Malvados. Tentadores. Apaixonantes. Isso.. paixão. Tem quer ser vermelhos.
Os meus sapatinhos vermelhos.

Morena

A volta da mulher morena
vinicius de morais

Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena

Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo
E estão me despertando de noite.
Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena
Eles são maduros e úmidos e inquietos
E sabem tirar a volúpia de todos os frios.
Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma
Cortai os peitos da mulher morena
Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono
E trazem cores tristes para os meus olhos.
Jovem camponesa que me namoras quando eu passo nas tardes
Traze-me para o contato casto de tuas vestes
Salva-me dos braços da mulher morena
Eles são lassos, ficam estendidos imóveis ao longo de mim
São como raízes recendendo resina fresca
São como dois silêncios que me paralisam.
Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena
Livra-me do seu ventre como a campina matinal
Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria.
Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena
Reza para murcharem as pernas da mulher morena
Reza para a velhice roer dentro da mulher morena
Que a mulher morena está encurvando os meus ombros
E está trazendo tosse má para o meu peito.
Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus últimos cantos
Dai morte cruel à mulher morena!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Lobinha

Pois é. Lendo. Observando. Imaginando. Tentando entender cada palavra de um livro. Enquanto tudo estava ali. Bem pertinho, ou melhor dentro de mim.

O meu coração reclamando, e eu achando que ele estava gripado. Que era mimado. Mas, não! Ele estava tentando me dizer: olha a velha, olha ela ali... quer te dizer algo. Não consegui ver.

Mas, ontem senti, senti suas palavras. Eram os meus ossos remexendo. Se deslocando. A dor. É. Descobrir que é através dela que meus ossos criam vida. Que meu instinto cria cor.

Feliz. Agora posso me relacionar muito bem com a dor. Através dela posso ver a velha. A velha que sabe. Que me diz a verdade. Que me dá a força.

Chorando, eu!? Não. Está chovendo. Não ver as gotas!? Lágrimas acariciando a alma. A minha alma. Que se renova. Que é nova e velha. Agora, resta nada. Nada.

mas eu digo. boa sorte. agora é só você. chove, se molha, se lava. e deixa que o sol te faça brilhar.

espere a primavera.




sábado, 7 de agosto de 2010

Palavras

O desenvolvimento de uma relação com a natureza selvagem é uma parte essencial da individuação da mulher. A história do Barba - Azul fala desse carcereiro, o homem sinistro que habita a psique de todas as mulheres, o predador inato.

domingo, 25 de julho de 2010

Mulher - Braba

A Mulher Braba

No emprego mais comum da palavra, um animal "brabo" é aquele que um dia foi selvagem, foi depois domesticado e voltou ao estado natural ou indomado.
A mulher braba é aquela que um dia viveu num estado psíquico natural — ou seja, em perfeito estado mental selvagem — e que depois se tornou cativa de alguma reviravolta dos acontecimentos, passando, assim, a ser excessivamente domesticada e amortecida nos seus instintos próprios. Quando essa mulher tem a oportunidade de voltar à sua natureza selvagem original, quase sempre ela é vítima de todos os tipos de armadilhas e venenos. Como seus ciclos e seus sistemas de proteção foram manipulados, ela corre riscos naquele que costumava ser seu estado selvagem natural. Já não mais alerta e desconfiada, ela se torna presa fácil.

As mulheres brabas de todas as idades, e especialmente as jovens, têm uma enorme vontade de compensar períodos de fome e de isolamento. Elas se arriscam quando fazem esforços excessivos e irracionais para se aproximar de pessoas e objetivos que não são benéficos, concretos ou duradouros. Não importa onde ou em que época elas vivam, há sempre arapucas à sua espera. Há sempre vidas menores para onde as mulheres se vêem forçadas ou atraídas.

Se você alguma vez foi capturada, se você alguma vez sofreu de hambre del alma, uma fome da alma, se você alguma vez se sentiu num alçapão e especialmente se você tem uma compulsão a criar, é bem provável que você tenha sido ou seja uma mulher braba. A mulher braba tem em geral uma fome extrema por algo profundo e, muitas vezes, pode ingerir qualquer veneno disfarçado na ponta de uma flecha, na crença de que ele é aquilo pelo qual sua alma anseia.
Para evitar esses ardis e engodos propiciados pelo tempo que a mulher passa no cativeiro e na fome, precisamos ter a capacidade de prevê-los e de nos desviarmos deles. Temos de voltar a desenvolver o insight e a prudência. Temos de aprender a nos desviar.

Para poder distinguir as opções corretas, temos de poder ver as erradas.






Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade.




Frida - uma mulher de cores.


Espero alegre a saída e espero nunca voltar.


La Mélinite



Jane Avril


dançarina de can can

Era dançando que juntava todos os seus ossos.
Era dançando que encontrava a velha, a Aquela Que Sabé.
Era dançando que despertava sua selva, seu deserto, seu desejo.


Do desejo


Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era em pensar alturas
Buscando AQUELE OUTRO decatado
Surdo à minha humana ladrudura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje de carne e osso

Osso, sangue, carne, o agora

DESEJO é uma palavra com a vivez do sangue.
DESEJO é Outro. Voragem que me habita.

Pois pode ser.
Para pensar o Outro, eu deliro ou versejo.
Pensá-lo é GOZO. Então não sabes?

INCORPÓREO É O DESEJO.

Desejo

Quem és? Perguntei ao desejo.

O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor dobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.

O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome.

Hilda Hilst

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Um deserto


O deserto é um lugar em que a vida se apresenta muito condensada.


Quase sempre começamos num deserto. Temos uma sensação de perda de direitos, de alienação, de não estarmos vinculadas nem mesmo a uma moita de cactos.

Essa descrição é semelhante à vida de muitas mulheres.

O deserto não é exuberante como uma floresta ou selva. Ele é muito intenso e misterioso nas suas formas de vida. Muitas de nós vivem vidas desérticas: íntimas na superfície e imensas por baixo.

Elas detestam a fragilidade, a escassez.

Está querendo ajuda?

Vá recolher ossos!!!

Velha

La Huesera

A Mulher dos Ossos

La Trepera

La Loba

Mulher Lobo

O único trabalho é o de recolher ossos. Ela volta através das histórias. Ouçam, portanto, com a escuta da alma, pois é essa a missão das histórias. Ela é a memória arquivada das intenções femininas.

Todas nós começamos como um feixe de ossos perdidos.

Roendo

A velha (aquela que sabe), está dentro de nós. Esta velha está entre os universos da racionalidade e do mito. Ela é a articulação com a qual esses dois mundos giram. Esse espaço entre os mundos é aquele lugar inexplicável que todas reconhecemos uma vez que passamos por ele, porém suas nuanças se esvaem e têm a forma alterada se quisermos defini-las, a não ser quando recorremos à poesia, à música, à dança.... ou às histórias.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Chegou a hora de a função criadora da psique festilizar a aridez.

Pele de alma

A história nos fala de onde realmente viemos, do que somos feitas e de como todas nós precisamos, com regularidade, usar nossos instintos e descobrir o caminho de volta ao lar.

a mulher da calcinha de algodão branco

Ela anda pela casa com o jeito mais despreocupado do mundo. Cabelo castanho quase ondulado na manhã de uma lembrança.
Pegando a torrada besuntada de geléia diet com a pontinha dos dedos, acha que está mais gorda do que queria estar, como toda mulher. É linda em sua imperfeição. O camisão gigantesco é secular e faz questão de não esconder nenhum furinho feito pelo tempo. Desbotado, é provavelmente uma das coisas que mais guarda o seu cheiro matinal totalmente viciante.
O beijo morto, dado ainda nos lençóis, vem entre um sussurro ainda ininteligível de que a preguiça era maior que ela e os cabelos desgrenhados pela noite.
Nenhuma mulher acorda parecendo que está num anúncio de margarina, mas qualquer propaganda perderia em naturalidade para seus miados.
Ela tem manias e defeitos como todo ser vivo e adora me tascar um beijo mesmo antes de escovar os dentes.
É uma dessas mulheres mágicas em sua simplicidade.
À luz da manhã de um domingo qualquer, lendo seu jornalzinho, pergunta algo que sabe que não sei só para poder fazer graça de mim. Fica feliz quando me ensina uma palavra nova, cantarola uma música que nunca tocou no radio, mas que só ela sabe de cor. Tem calcinhas chiques para ocasiões especiais, cheias de rendas como troféus para quem a despe.
Ela sabe onde comprar aquela cinta liga alucinante que faz qualquer homem babar, e certamente tem, pelo menos, uma guardada da forma mais despreocupada possível na gaveta que você nunca abre.
Reclama da minha barba mal feita que, às vezes, roça em sua nuca ou em suas coxas.
Adora quando falo do seu umbigo ou quando peço para ela parar de me morder porque marca.
Vive falando mal da celulite que imagina estar invadindo seu corpo.
É lasciva o suficiente para conseguir tudo que quer com uma chantagenzinha emocional barata. Me chama por um apelido que só ela usa e fala sarcasticamente mal de qualquer coisa que eu escreva só pra depois pular no meu colo dizendo que era brincadeira. Deixa a gola quase esgarçada do camisão para me mostrar o ombro e, quando salta pra pegar mais café, me diz cinicamente que é para parar de olhar pra sua bunda.
A mulher da calcinha de algodão branco. Como tantas outras calcinhas que contam histórias secando nas torneiras do chuveiro.
As calcinhas comuns, sem ocasiões especiais, sem desculpas por não serem sempre novas e lindas.
A mulher que reclama quando como algo que ela odeia, a mulher que aperta meu pneuzinho perguntando de quem são aquelas carnes.
Existem poucas cenas mais completas do que assistir ao sono dela em sua calcinha branca de algodão. Acho que a calcinha me fascina justamente pela sua idéia de cumplicidade.
De sempre estar ali. Pendurada no banheiro, dobradinha em cima da cama esperando sumir numa interminável gaveta ou andando pela casa antes de se esconder dentro de uma calça numa terça-feira. Essa mulher é a que no elevador me puxa com o olhar mais tarado do mundo e, segundos antes da porta abrir, me pergunta como está o decote.
A mulher da calcinha de algodão anda por aí, todos os dias, desapercebida em sua simplicidade, fingindo uma timidez educada que esconde seu senso de humor debochado e sua vontade eterna em me ver bebendo vinho nas curvas de suas costas enquanto compromissos esperam.
Ela é uma mulher, como tantas outras, incomparável.
Mesmo quando a gravidade inevitavelmente ganha suas batalhas e o tempo a lembre nas aulas de ginástica que ela não tem mais 17 anos. E daí se as pernas forem mais finas do que ela sempre quis que fossem? E daí se seu pé não apareceria em outdoors de sandálias?
Sei que ela sempre vai elogiar as magrelas que trabalham como cabides ambulantes para os grandes nomes da moda.
Sei que ela sempre vai dizer que eu preferiria ver a Gisele Bundchen de biquíni numa revista do que tê-la ao meu lado. E essa é uma das coisas boas dela.
Eu sei de um monte de coisas e ainda não me cansei disso.
A mulher da calcinha de algodão sempre vai ter algo inteligente ou debochado para dizer, sempre vai reclamar que eu deveria dirigir com mais calma e fazer pouco das outras mulheres que foram menos que ela na minha vida. Esta mulher fica menstruada e reclama disso, sempre fala que fica inchada e se acha um barangão quando está de mau humor.
Esta mulher é falível e real. Além de ser apaixonada por mim deve andar por aí olhando discretamente pra outros homens (sem nunca fazer nada), pode certamente comentar de meus defeitinhos para suas amigas ou ainda sonhar em ir a uma praia sem areia, que se amontoa dentro do seu velho biquíni. Ela vive, toma decisões erradas e ostenta outros milhões de defeitos.
Todos eles apaixonantes, porque vêm de alguém real e não de uma boneca de cera sem personalidade que muito homem queria ter para mostrar pros amigos.

de: Andre Debevc

O esqueleto da história

Muitas se perderam no tempo. Histórias que afloram o anseio feminino. Acolherei todas que se apresentarem, e manterei vivas aqui.


sábado, 19 de junho de 2010

O inicio



Começo a recolher todos os ossos que me pertence. Todas as histórias que motivam, que me faz dançar, sorrir, suar, tremer. Quero que seus pedaços façam em mim um grande mosaico de quereres e de sensações.
Quero que essas histórias tragam a La Que Sabé. Ela chega a nós através dos sons, da música que faz vibrar o externo e que anima o coração. Ela chega com o tambor, o assobio, o chamado e o grito. Ela vem com a palavra escrita falada. Ás vezes uma palavra, uma frase, um poema ou uma história.